ARQUITETURA DO FERRO – UMA TRAJETÓRIA DA INOVAÇÃO: DA EUROPA PARA A CIDADE DE FORTALEZA (1880- 1910)

Maria Claudia Vidal Lima Silva

Resumo


O presente trabalho tem como base a trajetória da arquitetura do ferro e a implantação de edificações metálicas pré-fabricadas importadas, entre o período final do século XIX e início do século XX, em Fortaleza, capital do Ceará. O Mercado de Ferro (1897), a Igreja do Pequeno Grande (1903) e o Teatro José de Alencar (1910) são testemunhas da arquitetura do ferro ainda existentes na cidade e permitem um contato direto com a cultura estudada. De acordo com Cardoso (2008, p. 10), “faz-se urgente a criação de mecanismos e organizações capazes de abrigar e preservar a memória coletiva no que diz respeito aos artefatos de origem industrial e ao seu contexto de produção e uso, aí incluída a arqueologia industrial2”. A Arquitetura passou a ser produzida como um artefato gerado pela indústria3, no quartel final do século XIX, em alguns países da Europa, com destaque para a Grã-Bretanha, França, Alemanha e Bélgica. De acordo com Kühl (1998, p.67), a arquitetura do ferro, pela própria natureza do processo de produção de suas partes, é composta por elementos a serem unidos, e por causa dessas características, a pré-fabricação de componentes e edificações inteiras foi impulsionada nesse período. Nesse sentido, a venda dessa arquitetura industrializada4 era perfeitamente possível de ser feita por meio de catálogos produzidos inicialmente pelas companhias britânicas, que se referiam a esses edifícios como portable building ou exported buildings. Nessa época em que a arquitetura se tornou um produto, esse grande artifício de venda era motivador para países, como foi o caso do Brasil, que ainda não tinha essa tecnologia de produção, importar edificações e seus complementos.

Palavras-chave


Arquitetura do Ferro; Arquitetura Industrial; Arquitetura de Fortaleza

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